Aprendendo com a Dança  

 

Dança é o movimento visualmente organizado no espaço e no tempo. Uma forma de expressão que faz uso dos movimentos coreografados para manifestar sentimentos e emoções. Dançar proporciona bem-estar físico e mental, desenvolve o tônus muscular e a coordenação motora. Reduz o stress, além de uma série de outros benefícios proporcionais à regularidade, intensidade e ambiente em que se pratica.  

 

A disciplina técnica da dança deve estar sempre aliada ao prazer da prática. No processo de ensino da dança, o aluno é estimulado a realizar diversas tarefas para aquisição de conhecimentos específicos, desenvolvendo habilidades que servirão mais tarde para muitas etapas da vida pessoal, acadêmica e profissional. Mas na esfera pedagógica, métodos que exercem ênfase exacerbada na técnica e perfeição em detrimento do prazer de aprender e a satisfação de dançar podem prejudicar esse processo. Professoras despreparadas podem transformar potenciais bailarinas em alunas com baixa auto-estima, tensas, preocupadas e por vezes exaustas, anulando a essência da atividade que é o prazer de dançar. Quando o foco excessivo no desempenho passa a substituir a função educacional que dança pode facilitar, os limites físicos e emocionais podem se tornar um problema sério para a criança e o adolescente. Sendo a dança uma atividade de equipe por excelência, sentimentos menos nobres e egos centrados levam qualquer grupo à desunião. 

  

A competição faz parte da dança e é até saudável. Entretanto, um ambiente de competição desprovido de liderança definida e regras claras pode levar um projeto ao fracasso. O aluno passa a reconhecer a atividade como uma mera competição pelo seu reconhecimento individual, geralmente a qualquer preço. Por lugares privilegiados na marcação da coreografia, por quem é a “melhor” e ou “mais querida” pela professora, ou ainda quem vai dançar mais números no próximo festival. Tal ambiente é incompatível com o propósito essencial de uma atividade física, artística e, portanto educativa. Em contra ponto a alegria, descontração e o prazer, o stress físico e mental provoca desinteresse precoce da aluna pela prática, e não raro,  antipatia à dança. 

  

É dever da professora de dança bem preparada, que dispõe do mínimo embasamento pedagógico para o ofício, antecipar e coibir comportamentos dissonantes da pedagogia que alicerça um currículo bem planejado e que, conseqüentemente, possam prejudicar as próprias alunas. Para evitar que isso ocorra é importante o entendimento do comportamento infantil.  

 

Para uma criança, o exemplo é o referencial básico sobre o como agir e proceder. Crianças aprendem muito imitando suas referências. O potencial de uma criança de observar e mimetizar são inimagináveis. Por exemplo, crianças pequenas aprendem a falar através de modelos, simplesmente ouvindo, observando e imitando as pessoas com quem convivem.  Crianças capturam atitudes, valores, preferências pessoais e muitos hábitos pela imitação dos exemplos que dispõe. Daí a importância primordial dos pais como primeira referência e modelo de conduta para os filhos. Quando os professores passam fazer parte do cotidiano de uma criança, exercem uma enorme influência em seu processo educacional. O que é dito e feito em frente a uma criança influencia diretamente sua educação e comportamento. 

  

Outra maneira por qual uma criança aprende é pela a experiência que obtém no ambiente em que vive. O ambiente de uma criança é composto pelos pais e outros membros da família, colegas de colégio, de bairro, da dança, professores, etc. E ainda pela TV, cinema, livros, revistas, músicas, etc. O mundo que a cerca formam os elementos básicos do ambiente de uma criança. 

  

O aprendizado pela experiência difere do aprendizado pelo exemplo. Se uma criança cai e se machuca, aprende que doe pela vivência daquele evento, não pelo exemplo de alguém. Assim, a criança se comporta de uma determinada maneira para se adequar ao ambiente em que se vê inserida. Se um ambiente premia a atividade em equipe e a participação de todos igualitariamente numa determinada coreografia, por exemplo, as crianças valorizarão o trabalho em equipe. Se o ambiente valoriza a assiduidade e a dedicação mais do que simplesmente a habilidade individual, a criança vai ser assídua e se dedicar com afinco, independentemente de seu nível técnico. O ambiente de uma escola de dança norteia o comportamento e a satisfação de suas alunas. Pais que valorizam a educação têm uma resposta positiva de seus filhos nos estudos. Professores de dança que encorajam o trabalho em equipe têm alunos cooperativos e dedicados. A criança tende a imitar, ou reproduzir, o comportamento de sua professora de dança. 

  

Portanto o papel da professora como modelo de atitude para seus alunos pode determinar os sentimentos reproduzidos por seus alunos no ambiente da dança. A satisfação pela dança ou o medo de dançar pelo julgamento de terceiros e por exigências desmedidas de uma determinada competição, está intrinsecamente relacionado à natureza do trabalho da professora e da escola que modela o ambiente, através de suas atitudes e valores. 

  

Auto-estima elevada e o aprimoramento técnico de cada aluno vão ocorrer naturalmente na medida em que a escola de dança, e em última instância a professora, trabalhando e reconhecendo as necessidades individuais de cada aluna, proporcionar um ambiente que valorizem o genuíno respeito ao próximo, trabalho em equipe, e amor pela dança. 

 

 


Lia Ary 

liaary@yahoo.com 

 

Educadora física, Professora de Dança, 

Coreógrafa e Coordenadora do “Lia Ary Dance Studio” 

www.lia-ary.com.br 

 

 

 

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